segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Professores X pessoas comuns na Alemanha


Fonte: Circulando por e-mail (internet) e i-phones.

domingo, 15 de outubro de 2017

NOSSA SENHORA APARECIDA: 300 anos de amor e misericórdia de Deus

Por Pe. Rafhael Silva Maciel (*)

E Deus chegou de uma maneira nova, porque Deus é surpresa: uma imagem de barro frágil, escurecida pelas águas do rio

Celebramos com alegria os 300 anos do encontro da imagem da Virgem Maria nas águas do rio Paraíba e que depois foi carinhosamente chamada pelo povo de Nossa Senhora Aparecida. Percebemos naquele evento, que mais uma vez o Senhor se fez próximo dos necessitados, por meio da imagem da sua Mãe; naquela imagem da Virgem Maria os pescadores começaram a renovar a esperança de que Deus estava com eles, de que não tinha abandonado à própria sorte. “As águas são profundas e, todavia, encerram sempre a possibilidade de Deus; e Ele chegou de surpresa, quem sabe quando já não o esperávamos. A paciência dos que esperam por Ele é sempre posta à prova. E Deus chegou de uma maneira nova, porque Deus é surpresa: uma imagem de barro frágil, escurecida pelas águas do rio, envelhecida também pelo tempo. Deus entra sempre nas vestes da pequenez” (Francisco, 27/7/2013, RJ).
O meio de maior proximidade e ternura que o Senhor escolheu; o modo mais doce e misericordioso que Ele achou foi a imagem da mãe que coloca o filho no colo e acalma suas angústias. Por isso, a Mãe Aparecida lembra-nos de que é preciso sairmos de nós mesmos e irmos ao encontro dos irmãos. E nesse encontro sermos para eles sinal da misericórdia de Deus. Misericórdia de Deus que se manifestou grandemente neste Ano Mariano, nos inúmeros atos de fé, romarias, peregrinações que acorreram ao Santuário Nacional e às Igrejas Matrizes Paroquiais que tinham Nossa Senhora Aparecida como padroeira principal.
Os 300 anos da imagem de Nossa Senhora Aparecida nos fazem pensar também que as graças recebidas neste tempo especial precisarão ser comunicadas, pois Aparecida é sinônimo de saída de si, e antônimo de egoísmo. Saída para comunicar o Amor de Deus recebido pelas mãos carinhosas da Mãe do Céu. Com Maria, “a Igreja se sente discípula e missionária desse Amor: missionária somente enquanto discípula, isto é capaz de deixar-se sempre atrair, com renovado enlevo, por Deus que nos amou e nos ama por primeiro (1Jo 4,10)” (Bento XVI, 13/5/2007, Aparecida).
Como fruto deste Ano Mariano Nacional, rezemos e façamos a nossa parte por um Brasil menos injusto. E, assim sendo, que a Virgem de Aparecida faça de nós imagens da surpresa misericordiosa de Deus, como foi ela mesma essa surpresa de Deus para o povo brasileiro.
(*)Presbítero da Arquidiocese de Fortaleza; Missionário da Misericórdia.
Fonte: O Povo, de 14/10/2017. Opinião. p.11.

SENHORA APARECIDA: 300 anos de bênçãos e graças!

Por Pe. João Batista de Almeida (*)

Foram cinco anos de preparação, nos quais a imagem foi entregue solenemente às dioceses brasileiras, que a fizeram peregrinar

Chegamos ao grande momento de celebração dos 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida nas águas do rio Paraíba do Sul. Foram cinco anos de preparação, nos quais a imagem foi entregue solenemente às dioceses brasileiras, que a fizeram peregrinar pelas paróquias, comunidades, escolas, hospitais, cadeias, presídios, residências etc. Inúmeros eventos foram promovidos pelos devotos para que pudéssemos chegar a esse momento com o coração agradecido, palpitante de alegria e regozijo pelo grande presente que Deus concedeu ao povo brasileiro, por meio de uma pequenina imagem surgida das águas.
É chegada a hora de cantar: “Quero lembrar os fatos que aconteceram naquele dia, quando, por entre as redes, aquela imagem aparecia. Vendo surgir das águas a tosca imagem de negra cor, agradeceram todos à Mãe de Cristo por tanto amor”. Recordar é viver, por isso fazemos memória de uma “teofania”, uma manifestação divina na história humana. Na singeleza da vida humilde de uma aldeia de pescadores no início do século XVIII, Deus quis mostrar seu amor infinito pelo povo da Terra de Santa Cruz.
Tenho a certeza de que os devotos da Rainha e Padroeira do Brasil querem prestar uma grande homenagem àquela que nos foi dada como símbolo nacional de fé. Com essa convicção, convido todos a soltar a voz e dizer bem alto: “Venho cantar meu canto, cheio de amor e vida. Venho louvar aquela a quem chamo ‘Senhora de Aparecida’. Venho louvar Maria, Mãe do libertador. Venho louvar a Virgem de cor morena, por seu amor”.
Neste ano de festa, as celebrações do Santuário, bem como seu calendário, sofreram alterações. A Novena, que tradicionalmente iniciava no dia 3 de outubro, este ano começou no 1º dia do mês. Em cada dia, celebramos a presença de Maria na vida do povo, e a relação dos devotos com nossa Mãe amorosa.
Por isso, demonstramos como a pequena imagem foi ganhando o coração do povo brasileiro, a começar pelos dos três pescadores. Eles foram os primeiros a acolherem a presença da Mãe com carinho e a verem Ela um sinal de Deus para seu povo. A partir deste acolhimento, surgiu a missionariedade, a partilha, a comunhão eclesial, que culminam com a proteção e o carinho materno que há três séculos são derramados no coração e na vida do povo brasileiro, celebradas nos dias 10, 11 e 12.
Esperamos que os momentos que compõem esta celebração jubilar sejam mais do que momentos especiais de oração; desejamos que sejam restauradores de vidas, recuperadores de dignidades perdidas, libertadores de escravidões, restauradores de imagens e semelhanças divinas, como tem sido a história da devoção a Nossa Senhora Aparecida, ao longo desses 300 anos de bênçãos e de graças.
(*) Reitor do Santuário Nacional de Aparecida (SP).
Fonte: O Povo, de 14/10/2017. Opinião. p.11.

NOSSA SENHORA DE APARECIDA

Por Pe. Brendan Coleman Mc Donald (*)

Não tardou a Virgem a mostrar por novos sinais que tinha escolhido esta imagem para distribuir favores especiais aos seus devotos

No dia 12 de outubro de 2017 a Igreja Católica celebrou o jubileu dos 300 anos da retirada da imagem de Nossa Senhora da Conceição de Aparecida das águas do rio Paraíba no município de Guaratinguetá (SP). Em 1717, três pescadores, Domingos Garcia, João Alves e Felipe Pedrosa, moradores nas margens do rio Paraíba de Guaratinguetá, desanimados por não terem apanhado peixe algum, depois de várias horas de trabalho, já estavam rumando de volta para casa, quando lançando mais uma vez a rede, retiraram das águas o corpo de uma imagem sem cabeça e, num segundo arremesso, encontraram também a cabeça da imagem de terra cozida.
Impressionados pelo evento, experimentaram mais um lance da rede, e naquele momento foi tão abundante a pescaria que encheram as três canoas. Limparam a imagem com muito cuidado e verificaram que se tratava duma imagem de Nossa Senhora da Conceição, de cor escura. Colocaram na capela de sua pobre vila e diante dela começaram a fazer suas orações diárias. Não tardou a Virgem a mostrar por novos sinais que tinha escolhido esta imagem para distribuir favores especiais aos seus devotos. A devoção e a afluência do povo cresciam todos os dias e por isso impunha-se a construção duma capela em lugar apropriado a fim de facilitar a devoção dos fiéis. Estava aí o morro dos coqueiros, o mais vistoso de todos os altos que margeiam o rio Paraíba. Em cima deste morro foi construída a primeira capela em 1745 e foi celebrada a primeira missa. A imagem de Nossa Senhora da Conceição, já então chamada pelo carinhoso nome de Aparecida, estava em seu lugar definitivo, dando origem à cidade do mesmo nome.
As etapas ascensionais que incrementaram a devoção a Nossa Senhora Aparecida são as seguintes: a primeira capela, várias vezes reformada e aumentada, era pequena demais e foi substituída em 1888 por outra muito maior e mais artística. Feita a construção material, o bispo diocesano quis prover o santuário com adequado serviço religioso. Para isso, em 1893 convidou os Padres Redentoristas, que desde o ano 1894 exercem com admirável zelo a direção e assistência espiritual do santuário. No dia 8 de setembro de 1904, por especial privilégio concedido pelo Santo Padre o papa, procedeu-se à solene coroação da imagem de Nossa Senhora de Aparecida, na presença de grande número de bispos. Em 1908 o papa elevou o santuário à dignidade de basílica. Em 1930 o Papa Pio XI, acolhendo favoravelmente o pedido dos bispos do Brasil, proclamou solenemente Nossa Senhora de Aparecida padroeira principal do Brasil. (S.Conti, O Santo do Dia, Vozes, 4ª ed. 1990, páginas 451-454)
As romarias continuaram somando vários milhões de romeiros todos os anos. Em 1950 foi resolvido construir um templo mariano novo e bem maior. A construção com suas dependências durou mais de vinte e cinco anos e, finalmente, foi solenemente consagrado na histórica visita do papa João Paulo II ao Brasil, no dia 4 de julho de 1980. Em 2015, quase 14 milhões de romeiros visitaram a Brasílica de Aparecida.
No dia 24 de julho de 2013, o Papa Francisco visitou e celebrou a Santa Missa na Basílica Nacional de Aparecida, pedindo à Nossa Senhora para interceder junto com seu Divino Filho para o sucesso da Jornada Mundial da Juventude. Papa Francisco ficou encantado pela beleza da Basílica e a fé do povo de Aparecida. Ele demonstrou o desejo de voltar para dirigir as comemorações dos 300 anos da retirada da imagem de Aparecida do rio Paraíba. Infelizmente, por motivos superiores, não pôde cumprir essa promessa.
(*) Padre redentorista e assessor da CNBB Reg. NE.
Fonte: O Povo, de 14/10/2017. Opinião. p.11.

sábado, 14 de outubro de 2017

PROVÉRBIOS ALEMÃES QUE ILUSTRAM A VIDA

9 essenciais provérbios alemães que ilustram a vida com salsichas, cervejas e pôneis

Estes provérbios sobre começos, fins, salsichas e pôneis ajudam a entender o modo de pensar dos alemães.

Escrito por Gabriel Mestieri
Aprender um idioma é uma das melhores maneiras de entender outra cultura. Às vezes, você tem que se colocar, de verdade, no lugar dos falantes nativos: pensar como eles pensam, tentar ver o mundo sob o ponto de vista deles. Esse processo pode ser muito bem complementado com alguns provérbios, já que eles ilustram a maneira de pensar de um povo.
Os ditos populares também desconstroem alguns mitos sobre a língua alemã, como o de que que ela é dura, direta demais, sem humor, poesia ou outros respiros: estas expressões são cheias de imagens e ironia.
E se as cervejas, as salsichas, os pôneis e os peixes fedidos destas expressões não forem suficientes para você se divertir com o idioma alemão, eu também divido o modo como interpreto e vivo essas máximas, já que elas têm bastante a ver com a minha mudança para Berlim. Vamos começar pelo início…

1 "Aller Anfang ist schwer." (Todo começo é difícil)

Então, finalmente decidi me mudar para Berlim. Deixei meu emprego em São Paulo, comprei uma passagem só de ida e reservei um hostel por duas semanas. Falando assim parece fácil, mas certamente não foi. As duas semanas no hostel se aproximavam do fim e eu começava a perceber, da maneira mais difícil possível, que a procura de um lugar para morar em Berlim pode se estender por meses. Encontrar um emprego também não foi fácil: sim, Berlim oferece várias vagas, mas encontrar uma que se encaixe às suas necessidades e expectativas é outra história. Hoje, dois anos depois, eu acho que posso dizer aos recém-chegados: "mantenha a calma e não desista de procurar um canto para chamar de seu. Aller Anfang ist schwer, mas você encontrará em algum momento aquele apartamento dos sonhos em Kreuzkölln.

2 "Kein Bier vor vier." (Nada de cerveja antes das 4)

Composto por apenas 4 palavras, esse provérbio impressiona pela simplicidade e por ser um exemplo de que, às vezes, é possível dizer bastante em alemão utilizando poucos caracteres. Eu frequentava as aulas de alemão pela manhã e, sem ter nada para fazer o resto do dia, é claro que aprendi essa regra bebendo muitas cervejas vor vier. A primeira vez que ouvi essa expressão foi quando um colega espanhol se recusou a tomar uma cerveja comigo na hora do almoço. Eu fui assim mesmo e desde então essa expressão é uma das minhas favoritas, ainda que eu a desrespeite constantemente.

3 "Alles hat ein Ende, nur die Wurst hat zwei." (Tudo tem um fim, só a salsicha tem dois)

Assim como as cervejas, as salsichas são quase que imediatamente associadas à Alemanha e aos alemães. E, é claro, que elas também estão presentes nos ditados populares do idioma, neste caso, para explicar que tudo na vida passa. Portanto, não se preocupe tanto. Nem se apegue muito a nada, afinal… Mas o que faz essa expressão especial é que o seu começo faz você esperar algo bastante profundo e filosófico: “Alles hat ein Ende, [insira uma grande sabedoria aqui]". Mas, para a nossa sorte, a segunda parte quebra completamente essa expectativa ao contar algo óbvio envolvendo salsichas. Quem disse que os alemães não têm senso de humor? (Se você quiser saber mais expressões sobre salsichas, esse é apenas um de muitos exemplos. Não deixe de ler outras formas de se expressar no idioma alemão com salsichas neste artigo em inglês).

4 "Der Fisch stinkt vom Kopf her." (O peixe começa a feder pela cabeça)

Ainda na categoria dos comes e bebes, este provérbio coloca o olfato na lista de sentidos explorados pela sabedoria popular. Ao dizer que o peixe começa a feder pela cabeça – como confirma o químico Hartmut Rehbein neste texto em alemão –, o provérbio insinua que as pessoas no comando são as responsáveis quando algo dá errado. Para mim, essa expressão também pode ser interpretada no âmbito pessoal: muitos dos seus problemas começam e existem apenas na sua cabeça.

5 "Nicht jede Kuh lässt sich melken." (Nem toda vaca se deixa ordenhar.)

Esse provérbio, ao meu ver, ilustra a importância da resistência, da manutenção da dignidade e do estabelecimento de limites. Às vezes, na vida, somos obrigados a fazer coisas de que não gostamos, e isso pode ser especialmente doloroso quando figuras de autoridade estão envolvidas. Seja um parceiro ou familiar abusivo, um agente arbitrário do Estado, um chefe intransigente ou um extremista religioso, é possível que em algum momento da sua vida você se depare com pessoas que acreditam poder dizer o que você deve fazer. Nesses casos, lembre-se sempre: Nicht jede Kuh lässt sich melken.

6 "Erst kommt das Fressen, dann die Moral." (Primeiro vem a comida, depois a moral.)

Essa não é exatamente uma expressão popular, mas uma citação famosa de A Ópera dos Três Vinténs, do dramaturgo alemão Bertolt Brecht. Para mim, ela exemplifica perfeitamente como as aflições mais urgentes da vida, às vezes, nos impedem de filosofar sobre questões mais existenciais (e importantes), além de servirem como uma espécie de pretexto para flexibilizarmos muitas de nossas ideias acerca do certo e errado . Essa expressão também dialoga com o meu início de vida em Berlim: ao chegar, tendo de encontrar um emprego e um lugar para morar, eu não tinha tempo de pensar nos mistérios da existência e do universo. Agora que essa fase inicial passou, eu finalmente tenho tempo para me perguntar: "Quem sou eu?" "O que estou fazendo nesse planeta?"

7 "Ein gutes Gewissen ist ein sanftes Ruhekissen" (Uma consciência limpa é o travesseiro mais macio que existe.)

Eu gosto de pensar que minha consciência sempre esteve (mais ou menos) limpa, mas ainda assim eu tive problemas para dormir durante toda a vida. Além disso, nunca ouvi falar que psicopatas sofram mais com insônia que o resto da população. Então, apesar de essa expressão soar bem, com sua rima e metáfora descolada, eu tenho que dizer que discordo completamente.

8 “Knapp daneben ist auch vorbei." (Quase ganhar também é perder.)

Esse ditado pode ser um pouco cruel para aqueles que deram seu melhor e chegaram em segundo lugar – afinal de contas, o importante é competir, certo? Errado, pelo menos de acordo com esse provérbio alemão. Mas não vamos levar tudo tão a sério: essa é uma ótima frase para provocar seu amigo alemão após vencer em qualquer esporte, competição, jogo de cartas ou videogame (e oportunidades não vão faltar, pois os alemães são loucos por jogos).

9 "Das Leben ist kein Ponyhof." (A vida não é uma fazenda de pôneis.)

Para fechar a lista, uma máxima que pode ser vista como um jeito bastante sarcástico de enxergar a vida: Das Leben ist kein Ponyhof. Portanto, espere muitos imprevistos, mudanças inesperadas, problemas, e assim por diante. Mas é claro que tudo depende da forma como você interpreta isso. Para mim, uma fazenda de pôneis (ou uma vida em que tudo acontece conforme o planejado) soa como algo extremamente entediante. Que bom que a realidade não é assim!
Fonte: pt.babbel.com

“Doutor Livingstone, eu presumo?”: a maior aventura africana faz 145 anos


Por André Barcinski
O calendário de Henry Morton Stanley apontava o dia 10 de novembro de 1871. Naquela manhã, Stanley e sua expedição, carregando uma bandeira norte-americana, chegaram a Ujiji, uma vila com cerca de mil habitantes no leste da África, hoje território da Tanzânia.
Além do próprio Stanley, só havia um homem branco em Ujiji. Ele tinha 58 anos, mas aparentava 80. Era magérrimo, desdentado, com longos cabelos brancos e roupas quase em farrapos. Stanley se aproximou, estendendo a mão…
– Doutor Livingstone, eu presumo?
Sim – respondeu Livingstone.
– Eu agradeço a Deus, doutor, o fato de ter tido permissão para vê-lo.
– Eu me sinto grato por estar aqui para recebê-lo.
Assim acabava a maior aventura africana. Durante 236 dias, Stanley havia percorrido 1560 quilômetros a pé pelas florestas da África, enfrentando leões, cobras, canibais e doenças. Tudo para achar David Livingstone, o grande explorador escocês, desaparecido do Ocidente há quase seis anos e que muitos davam por morto.
O encontro de Livingstone e Stanley está completando 145 anos. Ou melhor, já completou: estudos indicaram que a data exata do encontro foi 27 de outubro de 1871. A confusão aconteceu porque Stanley passou vários dias desacordado devido às várias doenças que contraiu na expedição, como disenteria, malária e até a quase sempre fatal doença do sono, e isso acabou por confundir seu calendário.
Um dos melhores relatos sobre a expedição de Stanley em busca de Livingstone é o livro “No Coração da África”, de Martin Dugard. Para quem gosta de histórias de aventuras e exploração, é difícil achar um livro mais empolgante.
Para começar, os dois personagens principais são fora de série: David Livingstone (1813-1873) era considerado o maior explorador da África e um grande herói britânico. Foi um missionário humanista que lutou contra o tráfico de escravos e sumiu de circulação em janeiro de 1866, quando se embrenhou em regiões inexploradas da África para tentar solucionar um mistério que causava polêmica entre geógrafos e exploradores: onde ficava a nascente do rio Nilo?
Já Henry Morton Stanley (1841-1904) teve uma vida triste e dramática: filho de uma prostituta, nasceu no País de Gales – seu nome verdadeiro era John Rowlands – e aos cinco anos foi mandado para um desses orfanatos saídos diretamente de um livro de Charles Dickens, onde foi castigado e abusado sexualmente por mais de uma década. Aos 15, saiu do orfanato, perambulou pela Inglaterra, embarcou num navio e, dois anos depois, acabou nos Estados Unidos, onde lutou na Guerra de Secessão – primeiro pelos Confederados e, depois de passar um tempo na cadeia, pela União – virou repórter, foi preso por dois anos numa masmorra na Turquia e acabou trabalhando como correspondente internacional do jornal “The New York Herald”, cobrindo conflitos na Etiópia, Espanha e China.
Mas o grande furo de reportagem da carreira de Stanley foi mesmo a descoberta de Livingstone. Embora houvesse relatos sobre um homem branco que comandava uma pequena expedição no coração da África, muitos acreditavam que Livingstone estivesse morto. Stanley achava que não, e convenceu o “The New York Herald” a bancar uma expedição para encontrá-lo.
O livro de Martin Dugard conta, em paralelo, as duas expedições – a de Livingstone em busca da nascente do Nilo, e a de Stanley em busca de Livingstone. As histórias envolvem ataques de canibais, leões famintos, aranhas venenosas e guerras entre tribos africanas.
Numa das passagens mais impressionantes, a expedição de Stanley explora uma região alagada pelas chuvas. Os homens caminham por dezenas de quilômetros com água na altura do peito, sendo atacados por cobras e sanguessugas, e alguns se afogam ao cair em pegadas de elefantes.
A notícia da descoberta de Livingstone correu o mundo e causou revolta na Inglaterra, onde muitos não aceitaram a humilhação de ter um de seus filhos mais ilustres resgatado pelo repórter de um jornal norte-americano. Para tristeza ainda maior dos ingleses, Livingstone nunca retornou à Grã-Bretanha: morreu em 1873, de disenteria e malária, numa região que hoje pertence à Zâmbia. Seu coração foi retirado pelos fiéis assistentes, Susi e Chuma, e enterrado aos pés de um imenso baobá.
Fonte: UOL, Blog do Barcinski, em 4/11/2016.

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

RADICALISMO


Por Luiz Gonzaga Fonseca Mota (*)
O radicalismo tem influenciado de forma negativa as alterações de comportamento e de organização social, nos países socialistas e capitalistas. Crises, desemprego, miséria, endividamento e violência decorrem de movimentos radicais que não buscam soluções, mas modelos errôneos do ponto de vista socioeconômico e político. Todavia, é ex­tremamente difícil e controvertido encontrar um modelo sociológico, filosófico e ideológico, capaz de gerar uma unanimidade. É urgente a necessidade de ações e programas que, voltados, principalmente, para a área social, promovam e consolidem oportunidades ao povo. Lamentavelmente, nos dias atuais, a exacerbação do pragmatismo está ocupando espaço das opções ideológicas e institucionais. Acreditamos serem as manifestações pragmáticas influenciadas pelo maniqueísmo da direita cartorial e da esquerda corporativa, pela ânsia de poder, pelo individualismo e pela ausência de sentimentos espirituais. O Estado existe não para ser opressor, mas para assegurar os princípios básicos da democracia. Precisamos nos voltar para o conhecimento das verdades essenciais, objetivando alcançar os valores éticos indicadores de um mundo social baseado nos conceitos de justiça e de igualdade de oportunidades. Uma ideia se destaca hoje nas discussões e debates realizados no mundo: globalização. É importante que ela surja como uma forma de promoção social universal, mediante manifestações não apenas econômicas, mas principalmente de ordem política e cultural, respeitando-se os direitos humanos e a coexistência pacífica. A globalização não pode e não deve ser um instrumento para ampliar o fosso existente entre nações ricas e pobres.
(*) Economista. Professor aposentado da UFC. Ex-governador do Ceará.
Fonte: Diário do Nordeste, Ideias. 4/8/2017.
 

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