quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

MÉDICAS VELHAS

Houve um entrevero entre a Dra Luiza Almeida e a mãe de uma criança que cobrava a prescrição de um antibiótico para sua filha, o qual ela queria, a todo custo, pegar na farmácia do hospital. A médica justificou a não indicação da antibioticoterapia, nesses termos:
– D. Zenaide, a sua garota tem só um resfriado comum. Basta oferecer sucos de limão e de laranja, à vontade, e cuidar para que repouse nesses dias, não fazendo extravagâncias. Vou prescrever vitamina C, para a senhora receber na nossa farmácia, que vai servir para melhorar as defesas dela.
– Mas eu quero os antibióticos. É mais garantido: a minha “bichinha” pode estar com uma “pineumonia encubada” – insistiu a mãe da Raquelle.
– Sua filha não tem pneumonia. Ela está apenas resfriada, com um vírus, e os antibióticos não fazem efeito nos vírus – ponderou a pediatra.
– Sua chata! Acho que você é muita “da incompetente”. As doutoras lá do posto de saúde, perto de minha casa, passam logo o antibiótico e despacham a gente. Só não fui lá porque tá faltando antibióticos na farmácia pra distribuição pro povo.
– Senhora, trate-me com respeito, por favor. Tenho Residência em Pediatria e trabalho como médica de crianças há mais de vinte e cinco anos.
– Se não é por incompetência, deve de ser porque você quer economizar os remédios, pra ficar de bem com a diretora dessa joça, sua rapariga – disse a mulher, elevando o tom da voz e baixando, ainda mais, o teor do diálogo.
– A senhora está sendo muito grosseira! – e acrescentou – eu não sou paga para agüentar abuso de pacientes, não!
– Enganou-se “queridinha”! Você é paga com o meu imposto e taí pra cuidar do povão, “sua velha” – retorquiu D. Zenaide.
Nesse instante, a Dra Luiza Almeida, ferida no seu ponto fraco, perdeu as estribeiras e partiu para a jugular de sua desafeta:
– Engoli a seco todas as suas ofensas, chamando-me de chata, incompetente e rapariga; mas, me chamar de velha, eu não agüento. Suporto tudo, menos ser tachada de velha.
O arranca-rabo entre as duas só terminou quando os seguranças do hospital apartaram as contendoras.

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