quinta-feira, 23 de novembro de 2017

BULLYING EM PERNAMBUCO

Meraldo Zisman (*)
Médico-Psicoterapeuta
Acontece um reboliço em nossa cidade. Bullyng é a sua manchete. Seria, por acaso, alguma nova pandemia da gripe suína? Calma, leitor. Deixe-me explicar. O verbete inglês bullying (intraduzível palavra para o nosso vernáculo) é empregado para descrever atos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, praticado por um indivíduo considerado “valentão”, que utiliza o mesmo idioma; ou por um grupo de alunos, com o objetivo de intimidar ou agredir outro(s) colega(s) incapaz(es) de se defender no ambiente escolar.
Os pais estão apavorados com mais esta violência e, os professores, desorientados e temerosos. Pessoas competentes na área de Educação, donos de colégios, políticos, autoridades, pediatras, psiquiatras, psicólogos, professores e magistrados são mobilizados, quando o fato aparece em estabelecimentos de ensino. Em escolas públicas ou privadas, a maioria dessa violência passa despercebida, para quem não deseja enxergar o óbvio. Há sinais, indiretos e diretos, denunciadores. Tal modalidade de selvageria sempre existiu, apenas é subnotificada, seja por pretextos de ordem política, pública ou privada.
Um episódio do bullying veio à tona, envolvendo um conhecido educandário, e uma jornalista me telefonou, indagando: “O que o senhor acha, como psicoterapeuta de jovem, sobre a sentença de um Juiz, punindo severamente um desses agressores? O jovem mal completou 14 anos e o que vai acontecer se ele for preso junto com drogados e homicidas?
Ao que lhe respondi: “Em decorrência da complexidade do tema, eu não poderia emitir uma opinião e aprendi que sentença de Juiz é para ser cumprida e, depois, discutida”. Com essa postura frente à matéria, a jornalista omitiu o meu nome, e tampouco publicou minha explanação improvisada. Esta é, portanto, a razão da presente croniqueta.
Via de regra, o(s) Magistrado(s) procura(m), em primeira instância, afastar o(s) agressor(es) do ambiente onde vive(m). Ao mesmo tempo, não desconhecem a precariedade das atuais regras penais. Por dever de oficio, são vinculados a aplicar uma pena correcional ao(s) criminoso(s)/infrator(es), em reposta/defesa/profilaxia à sociedade, como pessoa(s) da Lei, apesar de, a maioria, estar ciente da precariedade correcional da pena aplicada.
Cabe ressaltar, no entanto, que jovens com condutas antissociais são frutos da sociedade em que estão engajados. É ela a responsável pela criação dos seus marginais. Sendo assim, faz-se necessária uma discussão ampla e pontual sobre o bullying. Tal discussão precisa ser mais que multidisciplinar, eu diria, tem que ser transdisciplinar dos saberes existentes. Apenas importar soluções de outros países, ou mesmo, de outros Estados, sem as devidas adequações, é bastante temeroso, uma vez que existe toda uma cultura local, com suas especificidades.
Portanto, devemos trabalhar para obter uma reposta para estes casos, dentro de nossa realidade. Devemos permanecer permeáveis, ainda, às medidas praticadas nas demais latitudes. É isto que o Diário de Pernambuco está procurando realizar, com seu Grupo de Estudos Contra a Violência, dentro dos muros das escolas, bem como nas periferias em que elas penetram. Muito em breve, creio eu, deverá surgir uma indefectível Organização Não Governamental (ONG) especializada em violência escolar!
(*) Professor Titular da Pediatria da Universidade de Pernambuco. Psicoterapeuta. Membro da Sobrames/PE, da União Brasileira de Escritores (UBE) e da Academia Brasileira de Escritores Médicos (ABRAMES). Consultante Honorário da Universidade de Oxford (Grã-Bretanha).

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

CONVITE: Lançamento da Revista Anual da ACEMES


A Diretoria da Academia Cearense de Médicos Escritores (ACEMES) convida para o lançamento da sua Revista anual.
A obra, contendo a produção literária dos confrades desse sodalício, será apresentada pelo Presidente da ACEMES, o médico, escritor e professor José Maria Chaves.
Data: 22 de novembro de 2017 (quarta-feira).
Horário: 20h.
Local: Terraço Cultural José Telles – Ideal Clube, em Fortaleza-CE.
Traje: Esporte fino.

terça-feira, 21 de novembro de 2017

PAI DOS BURROS

Pedro Henrique Saraiva Leão (*)

É assim como alguns o chamam. Jocosamente. O respeitado escritor paulista Mário da Silva Brito, contudo, afirmava – com arrojo (atrevimento) ou certa imodéstia - ser o léxico (dicionário) “o pai dos inteligentes: os burros dispensam-no”. A seu respeito, Graciliano Ramos, alagoano de Quebrângulo (1892), um dos sóis da literatura brasileira no Nordeste (“São Bernardo”, “Angústia”, “Vidas Secas”) reconheceu: “não poderíamos trabalhar sem eles, como ( ) sem couro ou tijolos se fossemos sapateiros ou pedreiros”.

Penso assim também. Há muito estão meus dedos calejados de tanto abrir e folhear dicionários. Sempre cortejei-os, e – geralmente – fui recompensado. Aqui se impõe o advérbio, pois a palavra procurada, às vezes, ali não está.
Mesmo assim, nesses casos (raros) deparamos (encontramos) seus sinônimos ou correlatos. Ressalte-se, por igual, a prestimosidade destes livros, eis que respondendo nossas perguntas definem outros termos, acima e embaixo, nos dirimindo (anulando) outras dúvidas vernaculares, i.e., relativas à língua. Este é mais um dos seus encantos, estimulando maior conhecimento dos consulentes (quem consulta). O português originou-se do latim, e – consoante historiadores fidedignos os romanos ocuparam demoradamente a Inglaterra (do ano 55 antes de Cristo ao 6º século) ali inseminando esse idioma. Sua importância para os utentes (usuários) do português foi explicitada por um certo senhor Brander Mttheus, ao asseverar (assegurar, declarar): “não é preciso saber latim, mas devemos, pelos menos tê-lo esquecido”.
Com menos vocábulos contribuíram os gregos, sendo dos helênicos (da Hélade, ou Grécia Antiga) a formação da palavra “epicaricácia”, termo estrambótico (estapafúrdio ou bizarro, excêntrico) pouco conhecido. Vinda até nós pelos ingleses, “epicaricácia” não se encontra no Aurélio ou no Houaiss, mas na internet (Wikipedia). Deriva de “epi” = sobre + “chara” = alegria + “kakon” = mal, traduzindo-se por “alegria pela infelicidade de outrem”. Talvez seja mais conhecida em Alemão: “Schadenfreude” (“Schaden” = prejuízo; “Freude” = alegria) (In “Dictionary of Early English”. Joseph T. Shipley, Editor: Littlefield, Adams & Co. Paterson, New Jersey, EUA, 1963). Segundo o escritor norte-americano Gore Vidal, o fracasso dos amigos seria uma forma de felicidade. Já fui vítima dessa desfeita, perpetrada (cometida) por um colega, ex-estagiário, alegado “amigo–irmão”. “Hélas”!
Alguns leitores acusam-me de usar “palavras difíceis”, embora logo a seguir as defina. Faço-o, entretanto, para enriquecer-lhes o patrimônio vocabular, atualmente minguado pela falta de leitura, pela TV e pela internet. Recomendo ler/reler meu artigo “Vox barbara”, no O POVO, 14/10/2009. O primeiro léxico de Português foi a “Dictionarium Lusitanico in Latinum Sermonen”, por Jerónimo Cardoso, publicado em 1569.
Concluindo, tirante os dois acima mencionados, exemplifico com os clássicos Morais Silva (12 volumes), 1954; Laudelino Freire (5 volumes), 1940; Cândido de Figueiredo (2 volumes), 1945, além daqueles de Francisco Fernandes (Verbos e Regimes; Sinônimos e Antônimos; Regimes de Substantivos e Adjetivos). Lembro ainda os dicionários Latino – Português e Português – Latino, de Francisco Torrinha (Porto, 1942), além de inúmeros outros que tais, venerandos habitantes da minha biblioteca. 
(*) Professor Emérito da UFC. Titular das Academias Cearense de Letras, de Medicina e de Médicos Escritores.
Fonte: O Povo, 13/09/2017. Opinião, p.14.

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

GLORIOSO BRASIL

Por Luiz Gonzaga Fonseca Mota (*)
A Divina Comédia é um poema épico e teológico da literatura mundial, escrita pelo italiano Dante Alighieri (1265-1321). É formado por três partes: inferno, purgatório e paraíso, relatando em versos a história da conversão do pecador a Deus. É claro que nossa intenção, neste pequeno texto, é estimular o leitor a ler a obra de Dante e fazer uma analogia com o que vem ocorrendo nos últimos anos no Brasil e em muitas regiões do mundo. Jamais teria a audácia de em 22 linhas analisar o mencionado poema, que é apresentado em centenas de páginas. Todavia, Dante percorreu, na imaginação, o inferno e o purgatório acompanhado por Virgílio, escritor de Eneida no século I a.C., representando a Sabedoria Humana, e, ao lado da mulher amada Beatriz (Sabedoria Divina), percorreu o paraíso. Em síntese, Dante passou por lugares do pecado e da purificação e alcançou o reino da beatitude, ou seja, foi do inferno ao paraíso. Não desejamos tanto, para o mundo e para o Brasil. Mas almejamos, compatibilizando razão e fé, alcançar padrões de vida compatíveis com uma situação onde prevaleçam a paz, a correção comportamental, a ética, a justiça, enfim o amor. Particularmente, o nosso querido Brasil está atravessando uma crise sem precedentes. Não estamos discutindo e debatendo os reais problemas do povo. Porém, casos bizarros relacionados com determinadas pessoas e grupos. O Brasil sempre deverá ser democrático, com governos em que o povo exerça a soberania. As elites brasileiras, em todos os setores de atividade, precisam ler e interpretar, se possível, A Divina Comédia para que se encontre um contexto sem corrupção, justo e glorioso.
(*) Economista. Professor aposentado da UFC. Ex-governador do Ceará.
Fonte: Diário do Nordeste, Ideias. 13/10/2017.

domingo, 19 de novembro de 2017

CONDUTA CTA


O Professor Geraldo Gonçalves, regente da disciplina de Reumatologia da Faculdade de Medicina, era também o responsável pelo Ambulatório dessa especialidade, no Hospital das Clínicas da UFC.
Suas aulas práticas eram muito concorridas, mercê da sua competência e bem-querência, associada ao trato humanitário que dava aos sofridos pacientes que ali chegavam.
Em 1969, Paulo Gurgel, aluno do quarto ano, estreava nesse ambulatório, um serviço caracterizado pela agilidade no atendimento e pelo aprendizado propiciado a vários acadêmicos, simultaneamente, sob a direta orientação do Prof. Geraldo.
Certa vez, depois que o acadêmico Paulo fez a anamnese, o paciente foi examinado pelo professor, sob os olhares atentos dos seus alunos. Concluso o exame físico, o docente indaga ao estudante Paulo:
– Enfim, qual é a sua impressão diagnóstica?
– Penso que, de acordo com a história clínica e também com os achados do exame físico, esse senhor tem artrite reumatoide – respondeu Paulo.
– Parabéns! O seu diagnóstico está correto. Mas qual será a sua conduta nesse caso, meu rapaz?
– Acho que devo prescrever anti-inflamatórios e corticoides – explica o estudante.
– Você está no rumo certo; porém, o mais apropriado é a “Conduta CTA” – estimula o professor.
– “Conduta CTA”? Desconheço tal conduta, mestre. É algo novo que ainda não está no nosso livro-texto?
– Isso não é teórico, meu filho; mas, uma questão prática, bem adequada à nossa realidade.
Nisso, o Prof. Geraldo Gonçalves levanta-se e vai até o armário para retirar algumas amostras para entregar ao paciente, e pontifica com toda a sua espirituosidade:
– “Conduta CTA” significa “Conforme Tenha no Armário”.
Para bem guardar na lembrança, o querido mestre juntava as amostras grátis, recebidas dos propagandistas de remédios, que, com regularidade, o visitava em sua clínica particular, para suprir o seu precioso armário do Ambulatório de Reumatologia do Hospital das Clínicas, os quais eram dispensados aos enfermos despossuídos. Não era ele um Robin Hood, tirando dos ricos para dar aos pobres, mas, movido por seus caros princípios da caridade cristã, guardava para distribuir com quem nada tinha, o que vinha às suas mãos, de graça e sem nenhum favor.
Fonte: SILVA, M.G.C. da. Conduta CTA. In: SOBRAMES – CEARÁ. À flor da pele. Fortaleza: Sobrames-CE/Expressão, 2017. 384p. p.234-4.
* Publicado, originalmente, In: SILVA, M.G.C. da. Contando Causos: de médicos e de mestres. Fortaleza: Expressão, 2011.112p. p.28-9.

CARMEM DE BIZET?


O Professor Geraldo Wilson da Silveira Gonçalves, quando diretor do Centro de Ciências da Saúde da UFC, recebeu em seu gabinete, uma dona, de boca carnuda e longas madeixas negras, que assim se apresentou:
– Muito prazer, Prof. Geraldo. O meu nome é Carmem.
– O prazer é todo meu – acusou o Prof. Geraldo, que para animar a conversa e fazer uma referência à famosa ópera-cômica em quatro atos do compositor francês Georges Bizet, arrematou:
– É a Carmem de Bizet?
– Não, professor! É de Oliveira. O meu nome completo é Carmem Felino de Oliveira.
– Oh, desculpe-me, senhora! Não sei de onde tirei esse sobrenome.
– Por nada, foi um enorme prazer conhecê-lo, Prof. Geraldo. Até mais ver!
– Até mais, moça!
E enquanto ela se retirava, ele começou a assobiar trechos da “Havanaise” ou “Habanera”, lembrando que o amor é livre como um pássaro rebelde, e falou baixinho:
– “La voilà! Voilà la Carmencita!”
A propósito, ela nem dissera a que viera, o que intrigou ainda mais o professor, que passou a imaginar ter visto a assombração de uma morena andaluza, com um xale nos ombros, batendo as castanholas e deixando espalhados no ar, sopros da tão conhecida Ópera Carmem.
Abrindo bem os olhos, nada restava ali, a não ser uma lembrança leve do cheiro de azeite de oliva, evocando o sobrenome da “gata” que, por acaso, tinha também um Felino, para acompanhar aquela aparição repentina, que tal como entrou, acabou saindo, deixando no rastro a ilusão de um contato de primeiro grau com “une femme fatale”.
Fonte: SILVA, M.G.C. da. Carmem de Bizet?. In: SOBRAMES – CEARÁ. À flor da pele. Fortaleza: Sobrames-CE/Expressão, 2017. 384p. p.233-4.
* Publicado, originalmente, In: SILVA, M.G.C. da. Contando Causos: de médicos e de mestres. Fortaleza: Expressão, 2011.112p. p.27-8.

sábado, 18 de novembro de 2017

GALINHA CHOCA


O Professor Geraldo Wilson da Silveira Gonçalves, pioneiro da reumatologia no Ceará, ministrava uma aula prática no Ambulatório do Hospital das Clínicas da UFC, no final dos anos sessenta, quando entrou, para atendimento, uma senhora procedente do interior cearense, lá das brenhas, como se diz.
A mulher apresentava problemas articulares, queixando-se de “reumatismo” nas pernas.
Nisso, um dos acadêmicos de Medicina, sequioso por fazer logo um exame de flexibilidade dos membros inferiores da paciente, impõe:
– Acocore-se, senhora!
– “Cuma”? – indagou, desentendida, a mulher.
Outro estudante, tentando ser mais explícito, fala à enferma:
– Agache-se, por favor!
– “Cuma” é, doutorzinho? – perguntou a paciente, ainda sem entender o que fazer.
Foi, então, que o Prof. Geraldo Gonçalves, percebendo a dificuldade de comunicação, na relação médico-paciente, zeloso e sempre muito afável, rogou:
– Minha senhora, por favor, fique do jeito de uma galinha choca.
– Ah, sim! É isso o que queriam? Disse ela – pondo-se de cócoras, ou como queiram, agachada sobre as pernas arqueadas.
Isto posto, o exame físico pretendido pode ser assim realizado e a mulher, que nem era de Quixadá, mas soube imitar, com perfeição, aquela obra da natureza, apelidada de Galinha Choca, na terra dos monólitos, onde, de vez em quando, segundo os ufólogos, um OVNI risca o céu, saiu lépida e fagueira, ainda que aqui e acolá, soltasse um ai, por conta da artrose identificada no seu joelho direito.
De volta aos “cafundós do Judas”, onde morava, ela teria muito a contar, principalmente, que um certo doutor mandara que ela se baixasse e fizesse que nem a sua galinha de pescoço pelado, que ciscava lá no terreiro. Só não pediu foi que ela também botasse um ovo. Aí, não tinha como obedecer. Era demais!!!
Fonte: SILVA, M.G.C. da. Galinha choca. In: SOBRAMES – CEARÁ. À flor da pele. Fortaleza: Sobrames-CE/Expressão, 2017. 384p. p.232-3.
* Publicado, originalmente, In: SILVA, M.G.C. da. Contando Causos: de médicos e de mestres. Fortaleza: Expressão, 2011.112p. p.26-7.

ANOS (IN)ENFESTADOS


Em 2003, algum tempo após as celebrações do Jubileu de Prata da Turma José Carlos Ribeiro, acontecidas em dezembro de 2002, dei uma carona ao patrono de nossa turma, o Prof. Geraldo Gonçalves, da Reitoria da UFC até sua residência, quando travamos o diálogo seguinte:
– Você precisa rezar para que eu viva mais cinco anos – rogou-me o querido professor.
– O senhor está nas minhas intenções, dentre aqueles amigos a quem peço ao Pai para que vivam muitos anos entre nós – eu retruquei – mas por que cinco anos?
– É porque eu gostaria de vê-lo ingressar em nossa Academia de Medicina.
– Não entendo porque esperar mais cinco anos, se já integralizei os vinte e cinco anos de formatura exigidos para admissão na Academia Cearense de Medicina.
– É porque mudamos, recentemente, o nosso estatuto, passando de vinte e cinco para trinta anos o tempo mínimo de formado em Medicina, como requisito para ingresso na ACM.
– Qual foi a razão para essa mudança, Prof. Geraldo?
– Bem! Nós achamos que, atualmente, com vinte e cinco anos de graduado, os médicos encontram-se, em geral, no pico da atividade profissional, muito ocupados em ganhar o pão, para sustentar à família ainda em formação, e, por isso, não dispõem de tempo para a Academia.
– É uma pena para mim, porque, há anos, cultivava a possibilidade de ingressar na ACM, tão logo quanto possível. Mas não será por esse motivo que rogarei a Deus que lhe dê mais cinco de anos de existência terrena.
– Você sabe qual é a minha idade, Marcelo?
– Sei que o senhor ingressou nos oitenta, há dois anos – respondi-lhe prontamente.
– Na verdade, eu prefiro dizer que tenho quarenta e um anos enfestados. Você sabe o que são anos enfestados? – indagou-me ele, ao perceber que não teria entendido o significado daquela expressão.
Com efeito, como sanitarista, imaginei que talvez o meu interlocutor tivesse querido usar uma parônima, fazendo lembrar, com essa expressão, a derivada da acepção Infestação, que, na terminologia própria da Epidemiologia, pode ser entendida como o alojamento, desenvolvimento e reprodução de artrópodes na superfície do corpo ou nas roupas de pessoas ou animais. Procurando intuir alguma associação com o processo infeccioso, na chamada relação agente-hospedeiro, não encontrei a devida guarida, e daí, pronunciei, laconicamente:
– Não!
– Como não?
– Confesso que não afinei para o que sejam anos enfestados, da forma como o senhor colocou.
– Mas você sabe o que é um tecido enfestado, Marcelo? – perguntou-me, como se desejasse me explicar, aos poucos.
Na hora matei a charada, ao recordar do tempo em que era comum encomendar a feitura de roupas às costureiras de bairro, quando os armazéns e lojas de tecidos ofereciam peças de tecido cuja medição era duplicada, porquanto vinham dobradas ao meio. Prontamente, lhe disse:
– Sei, sim! A medida do tecido era em dobro.
– Pois é, Marcelo. Cada ano vale dois. Dizendo desse modo, pareço mais novo, não é?
Pensei, comigo mesmo, que, usando desse recurso, a diferença entre a minha idade e a dele, beirava os dezesseis anos enfestados, muito pequena, por sinal, em termos paradoxais, considerando à jovialidade de espírito do professor Geraldo Gonçalves.
Fonte: SILVA, M.G.C. da. Anos (in)enfestados. In: SOBRAMES – CEARÁ. À flor da pele. Fortaleza: Sobrames-CE/Expressão, 2017. 384p. p.231-2.
* Publicado, originalmente, In: SILVA, M.G.C. da. Contando Causos: de médicos e de mestres. Fortaleza: Expressão, 2011.112p. p.24-5.

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

CARIDADE

Por Luiz Gonzaga Fonseca Mota (*)
Os sentimentos de solidariedade e amor com vista à busca da felicidade e ao propósito da vida são muito importantes. Por outro lado, o ódio, a falsidade, a inveja e a ambição, dentre outros, são comportamentos incompatíveis com uma existência saudável. Ademais, é mediante a oração e a meditação que se encontram estados mentais positivos e se afastam os negativos. O que somos é consequência do que pensamos. O que alcançamos decorre de nossa fé em Cristo e da força da esperança. Como seria bom se nos dias de hoje os líderes mundiais e as pessoas que decidem e formam opinião, seguissem o pensamento de São Francisco(mensageiro da paz e da humildade). Sem dúvida, poderíamos afirmar que os direitos individuais se baseariam no princípio da liberdade, enquanto os direitos sociais seriam alicerçados na igualdade de oportunidades. A violência em todas suas formas – como o desemprego, a fome, a corrupção, o analfabetismo, a discriminação, a indiferença – leva a sociedade a um clima de perplexidade e apatia, motivando mais violência, mais injustiça e mais supervalorização dos bens materiais, o que conduz à constituição de famílias desajustadas, onde a admiração e o respeito foram substituídos muitas vezes pela falta de amizade, de carinho e de compreensão. “É nos momentos de infortúnio que se pode confiar nos pais. Nossos pais nos amam porque somos seus filhos, e este é um fato inalterável”, assim disse Bertrand Russel(1872-1970). Acreditamos, ainda, ser a caridade a mais significativa das três virtudes teologais (fé, esperança e caridade), pois nela está implícito o amor a Deus e ao próximo.
(*) Economista. Professor aposentado da UFC. Ex-governador do Ceará.
Fonte: Diário do Nordeste, Ideias. 6/10/2017.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

MAPA DA INTOLERÂNCIA (I)

Por José Jackson Coelho Sampaio (*)
No Modelo Intolerância de nossa sociabilidade atual distinguem-se três tipos mistos: a) desconhecimento, insatisfação e desesperança; b) racionalização de reacionarismo e cultura autoritária; e c) produção paradoxal de intenções democrático-progressistas.
Exemplos:
Escola sem Partido – O processo ensino/aprendizagem é atravessado por teorias, técnicas, ideologias e subjetividades. Somos seres humanos formando seres humanos e o que as democracias denegam é catequese, proselitismo, cooptação. Como se forma um cidadão crítico evitando sua exposição ao debate das visões de mundo que orientam nossas práticas sociais? Recusar conteúdos oriundos de ideias de Freire, Morin, Marx ou Paulo de Tarso e Inácio de Loyola é tirar do aluno ferramentas problematizadoras. Havendo distorção, debatam-se na Escola os alcances e limites.
Censura à Arte – A experiência da nudez é tão antiga como a de vestir, para proteger os genitais de dentes e espinhos. Civilização que foque na liberdade tende a expor o corpo, o que gera senso estético, no geral, dessexualizador. Civilização que foque na repressão das espontaneidades tende a camuflar o corpo, acentuando, perversamente, a relação entre nudez e sexualidade. Vide a estatuária grega mutilada pelo Cristianismo ou pelos Otomanos. O menino que tome banho nu, com os pais nus, não se importará com a nudez de estátua ou pessoa, mas, a proibida da experiência, sim.
Cura Gay – Hétero, bi e homo são expressões da complexa e diversa sexualidade humana, somente vividas dolorosamente se entram em jogo repressão, humilhação, opressão. Qualquer uma pode resultar de constrangimento e levar a sofrimento. Também pode resultar de tendências familiares, sociais e culturais assumidas serenamente. A maior parte de nossa sexualidade é probabilística, em elo com potências genéticas, morfológicas, fisiológicas e psicossociais. Assim, mais de 95% das vivências de nossa sexualidade expressam descobertas e construções, não cabendo a rubrica de doença e intervenções curativas.
(*) Professor titular em saúde pública e reitor da Uece.
Publicado. In: O Povo, Opinião, de 31/10/17. p.10.

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

O “COR BOVIS” DO CAPELO


O Departamento de Fisiologia e Farmacologia deveria passar por uma ampla reforma; quando a Prefeitura da Universidade confirmou a demolição dos muitos compartimentos, o Professor Recamonde Capelo, de pronto, cogitou a possibilidade de construir uma “maloca” para uma prestadora de serviços.
Tratava-se da mais necessitada servente da Fisiologia, com seis filhos e sem um teto onde morar; para o popular Capelo, seria fácil obter dos escombros o material, reciclando-o, a fim de construir uma casinha para dita senhora. Com uma “vaquinha”, corrida entre os docentes, e o reaproveitamento dos entulhos da Prefeitura da UFC, o Prof. Capelo pode erguer uma casinha, em um pequeno terreno por ela “grilado”, localizado no bairro Siqueira. A casa era coberta com telhas e possuía três cômodos, e até uma cacimba foi escavada para garantir o suprimento de água.
A posse do novo imóvel foi o bastante para a servente mudar de “status” social, que, de imediato, “casou-se” com um soldado da Polícia Militar. Como consequência, o Departamento viu-se privado do serviço da trabalhadora, para a quem o trabalho já não convinha, por se sentir com uma certa estabilidade, ainda que sem emprego.
Depois de algum tempo de ausência, o Prof. Capelo solicitou à secretária do Departamento, para que readmitisse a servente. A razão do retorno foi porque o “marido” permutara a casa por um “fusquinha 66”, e, voltando de uma farra, os ocupantes do veículo despencaram da ponte sobre o rio Siqueira, pondo fim no único bem material do casal. Tudo voltou ao que era e, de novo, o “cor bovis” socialista do Prof. Capelo quebrou lanças para a reintegração da ex-empregada, o que de fato ocorreu.

Fonte: SILVA, M.G.C. da. Capelo, o mão-aberta. In: SOBRAMES – CEARÁ. Semeando cultura. Fortaleza: Sobrames-CE/Expressão, 2016. 320p. p.234.
* Publicado, originalmente, In: SILVA, M.G.C. da. Contando Causos: de médicos e de mestres. Fortaleza: Expressão, 2011.112p. p.75-80.

terça-feira, 14 de novembro de 2017

A exceção confirma a regra. Mais Médicos?

Meraldo Zisman (*)
Médico-Psicoterapeuta
Notícia: Mais três novos cursos de medicina - agora são 256.
Dizem por aí que notícias nunca derrubam o mundo. O que derruba o mundo são os fatos. Vou falar do programa "mais médicos", que, pelo esquecimento midiático, parece ter acontecido nos tempos do Brasil colônia.
Assim mesmo, de quando em vez aparece uma apagada notícia como foi o caso do médico cubano que quer ou quis se casar com uma brasileira. Mas, de Medicina nada. Nem pioras nem melhoras. Mas vamos aos fatos.
Temos, cada vez mais, Escolas Médicas que formam mais pessoas do que o número de vagas para médicos recém-formados. Quanto à sua qualidade acadêmica, muito poucas delas podem ser acreditadas de mínima competência.
Mesmo assim, como o problema é de raiz (desde o início e qualidade do ensino primário, médio ou profissional, etc., etc.), não é necessário insistir na situação do ensino médico (para ficar na minha praia).
Tudo isto não impede de aparecer o fato da Saúde Mental, que acaba faltando, tanto no sentido ético como no moral aos jovens que são agredidos (quando não psiquicamente traumatizados), para poderem ser aceitos nas residências médicas para que obtenham alguns pontos a mais de vantagem para aprovação. Para isso, constrangidos são/foram ao passarem 12 longos meses em ambulatórios, onde falta de tudo, atendendo à população sem qualquer orientação. Imagine o nível do ensino nesses ambulatórios. Muito embora o salário seja integral e não enviado 70% para Cuba. Dinheiro não é tudo... para quem quer aprender.
Enquanto isso três novos cursos de Medicina (privados) foram reconhecidos em 03.07.15. Os valores das mensalidades desses cursos, por ordem crescente são: Faculdade UNIRG-UNIRG - Gurupi/TO R$ 3.014,55 - Faculdade São Leopoldo - Campinas R$11.706,15 (para pagamento em dia R$9.130,82). Bastaria ler o que diz o médico Bráulio Luna Filho, 61, presidente do Conselho de Medicina da São Paulo no artigo Ensino médico em crise, pacientes em risco (06.03.15): "Das 42 escolas do Estado de São Paulo, 30 participaram da avaliação. As 20 piores colocações ficaram com as instituições privadas, que cobram mensalidades entre R$ 6.000 e R$ 9.000, mas não oferecem em contrapartida formação adequada àqueles que investem no sonho de ser médico... dos formados nas escolas particulares. Houve um curso cujos alunos não ultrapassaram 13% de acertos". Quem desejar pode conferir: http://www.escolasmedicas.com.br/mensal.php
Concluo dizendo do perigo das transparências para os que desconhecem os fatos. Pensar que números significam saber e que não são facilmente manipuláveis.
Socorro-me de clichê, lugar comum e aproveito para escrever esta minha opinião, justo quando uma dessas três novas escolas (sem desmerecer e desconhecer as demais) é vinculada ao Hospital Israelita Albert Einstein, uma das melhores Instituições médicas do Continente.
Quando se junta verdade com mentira, fica muito difícil separar uma da outra. A exceção confirma a regra.
(*) Professor Titular da Pediatria da Universidade de Pernambuco. Psicoterapeuta. Membro da Sobrames/PE, da União Brasileira de Escritores (UBE) e da Academia Brasileira de Escritores Médicos (ABRAMES). Consultante Honorário da Universidade de Oxford (Grã-Bretanha).

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

POEMAS E CRÔNICAS

Por Luiz Gonzaga Fonseca Mota (*)
No último dia 21 do corrente mês, tivemos a satisfação de lançar no Ideal Clube, por sugestão de seu presidente Amarílio Cavalcante, dois livros: “Poemas no Tempo” e “Textos Escolhidos”. No primeiro citado, apresentamos de forma amorosa e inquietante, 50 poemas ressaltando sentimentos como amor, dor, alegria, angústia, solidariedade, dentre outros. O excelente prefácio foi redigido pela competente e amiga escritora Mônica Silveira que muito me sensibilizou. Por sua vez, “Textos Escolhidos”, atendendo solicitação de amigos e leitores, reúne 115 crônicas publicadas no Jornal Diário do Nordeste. São textos sobre educação, cultura, economia, politica, filosofia, causos, fatos do cotidiano, etc. Gostaríamos, por outro lado, de agradecer aos eminentes intelectuais Sânzio de Azevedo, pelo airoso prefácio e Cid Carvalho pelo generoso perfil do autor. Nossa intenção principal ao redigir e publicar livros é a de estimular a leitura. Como disseram Carlos Drummond de Andrade, “A leitura é uma fonte inesgotável de prazer mas por incrível que pareça, a quase totalidade não sente esta sede” e Mario Quintana, “Os verdadeiros analfabetos são os que aprenderam a ler e não lêem”. Ademais, sem dúvida, é na educação e na cultura que se encontra o único caminho para o desenvolvimento democrático, pleno e justo de um povo. Utilizar recursos financeiros nos dois setores mencionados não significa despesa de custeio, mas investimento. É uma ação estratégica de largo alcance social. Sempre salientamos ser importante que a educação e a cultura sejam programas de Estado democrático e não de Governo. Um dia conseguiremos.
(*) Economista. Professor aposentado da UFC. Ex-governador do Ceará.
Fonte: Diário do Nordeste, Ideias. 29/9/2017.

domingo, 12 de novembro de 2017

TROCANDO DE ROUPA: políticos e marinheiros


Navegavam há meses e os marujos não tomavam banho nem trocavam de roupa. O que não era novidade na Marinha Mercante Britânica, mas o navio fedia!
O Capitão chama o Imediato:
- Mr. Simpson, o navio fede, mande os homens trocarem de roupa!
Responde o Imediato:
- Aye, Aye, Sir...
Parte para reunir os seus homens e diz:
- Marinheiros, o Capitão está se queixando do fedor a bordo e manda todos trocarem de roupa.
- David troque a camisa com John,
- John troque a sua com Peter,
- Peter troque a sua com Alfred,
- Alfred troque a sua com Jonathan ... e assim prosseguiu.
Quando todos tinham feito as devidas trocas, volta ao Capitão e diz:
- Sir, todos já trocaram de roupa.
O Capitão, visivelmente aliviado, manda então prosseguir a viagem... 

É MAIS OU MENOS ISSO QUE VAI ACONTECER NO BRASIL NAS PRÓXIMAS ELEIÇÕES!
"NÃO É A POLÍTICA QUE FAZ O CANDIDATO VIRAR LADRÃO.
É O SEU VOTO QUE FAZ O LADRÃO VIRAR POLÍTICO".
Fonte: Internet (circulando por e-mails e i-phones sem autoria definida). 

GRANDE EMPRESA PODE VIR A PEDIR FALÊNCIA


Outra grande empresa indo pro buraco!
A Johnson & Johnson, pode vir a pedir falência!
A multinacional Johnson & Johnson pode abriu concordata, alegando problemas com seus produtos no mercado.
A empresa está à beira da falência, os problemas alegados foram:
1 - O produto OB está no buraco;
2 - As fraldas estão sempre na merda;
3 - O Sempre Livre não sai do vermelho;
4 - E o pior de tudo... Colocaram o Jontex no pau.
5 - E para completar... os clientes do Viagra estão duros!
ASSIM NÃO HÁ EMPRESA QUE AGUENTE!!!
Fonte: Internet (circulando por e-mails e i-phones sem autoria definida).

sábado, 11 de novembro de 2017

Plaqueta: Sociedade Médica São Lucas (1937-2017)


Na Revista do Instituto do Ceará do ano 2016, para assinalar a passagem dos 70 anos da feitura do I Congresso Brasileiro de Médicos Católicos (I CBMC), publicamos um ensaio, por meio do qual ficou perpetuado esse registro no veículo de comunicação da mais antiga instituição cultural do Ceará, e, da mesma forma, comportava lembrar aos dirigentes da Sociedade Médica São Lucas (SMSL) que, no ano corrente, a entidade católica que o realizou em 1946 completaria 80 anos de fundação, cabendo, por conseguinte, sacramentar essa efeméride, de forma tão jubilar quanto possível.
Em 26/11/2016, em O Povo, essa mesma temática foi reverberada na mídia local, por intermédio de um artigo nosso, conclamando a SMSL, ao ensejo dos seus 80 anos de criação, a celebrar, efusivamente, em 2017, o seu Jubileu de Carvalho, para a maior glória de Deus.
No dia 22/07/2017, na qualidade de convidado, tomamos parte da reunião da Direção da SMSL, cuja pauta constava a comemoração desse ano jubilar. Na ocasião, lançamos a proposta da edição de uma plaqueta alusiva ao marco em questão, que bem se prestaria para o resgate histórico de uma entidade médica, voltada mais especialmente para a aplicação das virtudes teologais, sem se descurar de outros atributos essenciais da arte hipocrática.
Durante essa reunião, dentre as comissões de trabalho construídas em prol da concretização da magna data, foi instituída a Comissão de Comunicação, constituída por Marcelo Gurgel Carlos da Silva, Janedson Baima Bezerra, João Martins de Sousa Torres e João Ferreira Brito Filho. A propositura da plaqueta foi aprovada pela Direção da SMSL, atrelando a sua elaboração à Comissão de Comunicação, recaindo no próprio proponente a responsabilidade de organizar a publicação em epígrafe.
A Diretoria da Academia Cearense de Medicina (ACM), em reunião de 26/07/2017, considerando que três dos quatro componentes da Comissão de Comunicação eram integrantes dessa arcádia médica, acolheu a indicação de coparticipação na editoração da plaqueta, com a inserção de artigos produzidos por membros afiliados às duas instituições (SMSL e ACM), chancelando-a, assim, no selo editorial da Coleção Antônio Justa da ACM.
Esta plaqueta contém o registro cartorial, que oficializou a existência notarial da SMSL, ensaios que discorrem sobre a trajetória histórica da SMSL e o papel desempenhado por seu primeiro assistente espiritual, o Pe. Monteiro da Cruz, além de artigos diversos, que funcionam como crônicas complementares à história institucional da SMSL.
Ademais, a seleção das fotografias conduzida pelo Ac. Janedson Baima Bezerra foi enriquecida pela generosa contribuição do Ac. Sérgio Gomes de Matos, que doou à SMSL um valioso acervo fotográfico, composto por fotos originais do I CBMC.
Que este livreto seja, pois, uma proveitosa e sacra leitura!
Marcelo Gurgel Carlos da Silva – Organizador
Membro titular da ACM (Cad. 18) e da SMSL 

* Discurso de apresentação da plaqueta Sociedade Médica São Lucas (1937-2017), proferido na solenidade de comemoração dos 80 anos de criação da SMSL, realizada na Capela do Colégio Santo Inácio, em Fortaleza-CE, em 11 de novembro de 2017.

SOCIEDADE MÉDICA SÃO LUCAS: 80 anos


A Sociedade Médica São Lucas (SMSL) foi instituída em 3/11/1937, ao término do primeiro retiro espiritual de médicos de Fortaleza, realizado na Igreja Cristo Rei, sob a direção espiritual do padre jesuíta Antônio Monteiro da Cruz, contando com um quadro de 13 sócios fundadores, liderados pelo dr. Lauro Vieira Chaves.
Por intermédio de um artigo, publicado em 26/11/2016, no O POVO, Opinião (pág. 20), conclamou-se a SMSL uma sociedade evangelizadora de médicos católicos, ao ensejo dos seus 80 anos de criação, a comemorar essa efeméride, em 2017, ad maiorem Dei gloriam.
Na reunião da Diretoria da SMSL, ocorrida no dia 22/7/2017, quando se discutiu a programação desse Jubileu de Carvalho, foi aprovada a editoração de uma plaqueta, como uma proposta de reavivar a trajetória histórica dessa entidade médica cearense, devotada à prática das virtudes teologais cristãs, ao tempo em que se observam os princípios basilares da arte de curar, tendo por lema o aforismo hipocrático: sedare dolorem opus divinum est.
O festejo será concentrado na manhã de hoje, 11/11/2017, iniciando-se às 9 horas, na Capela do Colégio Santo Inácio, com a Missa Gratulatória do Jubileu, seguida de solenidade comemorativa do octogésimo aniversário, que constará de: outorga da Comenda Médica São Lucas a dois homenageados; entrega de diplomas de agradecimento a instituições e pessoas que contribuíram para o bom funcionamento dessa sociedade; e o lançamento da plaqueta “Sociedade Médica São Lucas (1937-2017)”.
A plaqueta em epígrafe contém o documento cartorial que oficializou a existência da SMSL, ensaios que recontam fatos e feitos históricos da SMSL e o papel exercido por seu primeiro assistente espiritual, o padre Monteiro da Cruz, além de diversos artigos, conformando crônicas complementares da situação hodierna da SMSL.
Que este jubileu seja, pois, um momento edificante da SMSL e um ponto de partida para empreendimentos tão ousados e desbravadores com os que foram perpetrados pelo seu corpo de fundadores.
Marcelo Gurgel Carlos da Silva
Médico e membro e da Sociedade Médica São Lucas (SMSL)
* Publicado In: O Povo, de 11/11/2017. Opinião. p.20.

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

CONVITE: Jubileu de Carvalho da Sociedade Médica São Lucas

 
São Lucas, de Arlindo C. de Carli

A Diretoria da Sociedade Médica São Lucas (SMSL) convida para a Missa Gratulatória do Jubileu de Carvalho da SMSL, seguida de solenidade comemorativa dos 80 anos de fundação dessa entidade de médicos católicos.
Local: Capela do Colégio Santo Inácio. Av. Desembargador Moreira, Nº 2.355, Dionísio Torres, em Fortaleza-CE.
Data: 11 de novembro de 2017, sábado, às 9h.
Marcelo Gurgel Carlos da Silva
Da Sociedade Médica São Lucas

LIVRO E PICOLÉ

Por Luiz Gonzaga Fonseca Mota (*)
Nos últimos dias 8 e 9 do corrente mês, tive a oportunidade de visitar a XVIII Bienal Internacional do Livro no Rio de Janeiro. Realizou-se no amplo Rio Centro. Chegando no local, no primeiro dia, fiquei emocionado e alegre. A fila de entrada era muito extensa e formada na grande maioria por crianças, jovens e adolescentes. Apesar da minha idade, mas em respeito e homenagem aos integrantes, fiz questão de enfrentar, sob um sol forte, a ordem estabelecida. Após aproximadamente uma hora entrei no enorme pavilhão. Mesmo cansado, fui a vários setores e observei muitos “stands”. Livros diversos: poemas, romances, técnicos, religiosos, infanto-juvenis etc. No dia seguinte retornei para espiar, exclusivamente, as obras destinadas às crianças e aos jovens. Notei que a frequência, de um dia para o outro, do público infanto-juvenil havia aumentado. Cresceu, mais ainda, minha felicidade e emoção. Os meninos e meninas do Brasil estão iniciando um processo de emancipação cidadã, através da leitura. Sentei-me em frente a um “stand” de livros infanto-juvenis. Ao lado, uma moça com carrinho vendia picolés para a garotada. Pois bem, a meninada passava indiferente pelo carrinho e entrava no “stand”. Muitos compravam livros e só depois adquiriam os saborosos picolés. Atitude, a meu juízo, que traz esperança. A boa leitura poderá acabar no futuro, talvez numa geração (25 anos), com os desvios de conduta e a corrupção endêmica existentes em vários segmentos da população brasileira. Sem dúvida, é na educação e na cultura que se encontra o único caminho para o desenvolvimento democrático, pleno e justo.
(*) Economista. Professor aposentado da UFC. Ex-governador do Ceará.
Fonte: Diário do Nordeste, Ideias. 22/9/2017.

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

PERSEVERANTES NA TRIBULAÇÃO

Por Pe. Reginaldo Manzotti (*)
Deus é infinitamente misericordioso. Ele está sempre pronto a nos escutar; por isso, tenhamos certeza de que não é indiferente às situações de nossa vida, muito menos ao nosso sofrimento. Ele não manda as provações, porém, como Pai zeloso, utiliza esses desafios para transmitir lições valiosas, porque nos ama.
Deus não faz isso por vingança, mas para fortalecer a nossa fé e assim nos santificar. O sofrimento aproxima-nos de Jesus e é n’Ele que devemos depositar nossa confiança. Para superar esses momentos de tribulação, não concentremos nossa atenção nas dificuldades, e, sim, na presença de Jesus, que disse: “Neste mundo, vocês terão aflições, mas tenham coragem; eu venci o mundo” (Jo 16,33). Ele é nosso parceiro de caminhada, dando-nos força e segurança. Ele é o vencedor da morte que prometeu estar conosco até o fim. Com Ele nos amparando, não há o que temer. Na verdade, toda tribulação traz consigo um estímulo à verdadeira conversão, pois nos leva à perseverança e a uma profunda experiência de Deus. Por isso, não devemos pedir que Ele nos livre delas, mas que nos dê a força necessária para conseguirmos vencê-las.
Muitas vezes o que falta à nossa oração é a confiança necessária. A fé deve ser confiante, cheia de esperança, mas também paciente. É preciso saber esperar o tempo de Deus, que não é o mesmo que o nosso, como ensina o Livro do Eclesiástico: “Sofre as demoras de Deus; dedica-te a Deus, espera com paciência, a fim de que no derradeiro momento tua vida se enriqueça. Aceita tudo o que te acontecer. Na dor permanece firme; na humilhação tem paciência. Pois é pelo fogo que se experimentam o ouro e a prata, e os homens agradáveis a Deus, pelo caminho da humilhação. Põe tua confiança em Deus e ele te salvará” (Eclo 2,3-6).
Mesmo quando não conseguimos enxergar a luz no fim do túnel, não desanimemos. Ela existe. Não cessemos de rezar e esperar no Senhor. A seu tempo, as graças serão concedidas, pois o tempo de Deus não segue os ponteiros do nosso relógio. Mas somos frágeis e, na hora da necessidade, desesperamo-nos e até questionamos o poder de Deus. Felizmente, até isso Ele compreende, porque nos ama como somos e só quer o nosso bem.
Por outro lado, também é preciso que fiquemos atentos, pois, às vezes, esperamos que tudo aconteça como pedimos e Deus nos mostra a solução de outra forma, a qual não entendemos, exatamente porque não estamos atentos aos Seus sinais.
Com certeza, Deus fará a parte d’Ele, mas nós temos que fazer a nossa. Não basta cruzarmos os braços e esperar sentados que as coisas caiam do céu. Devemos lutar e não ter medo de ousar, ser criativo e evitar de todas as formas o desânimo e a apatia.
Lembremo-nos de que a perseverança tudo alcança. Deus é poderoso para realizar muito mais do que pedimos ou imaginamos.
(*) Fundador e presidente da Associação Evangelizar é Preciso e pároco reitor do Santuário Nossa Senhora de Guadalupe, em Curitiba (PR).
Fonte: O Povo, de 11/9/2017. Opinião. p.19.

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Nova edição do livro Rouquayrol - Epidemiologia & Saúde será lançada nesta quarta, 8


Com participação de 14 professores da Universidade Estadual do Ceará (Uece), será lançada nesta quarta-feira, 8 de novembro, a 8ª edição do livro Rouquayrol - Epidemiologia & Saúde. A obra é organizada pelo professor da Uece, Marcelo Gurgel, e pela pesquisadora Maria Zélia Rouquayrol. O evento acontecerá às 18h, no auditório da Biblioteca da Unifor.
A nova edição aborda o que há de mais novo em Saúde Pública e em Epidemiologia, e os avanços do Sistema Único de Saúde no Brasil. Além do conteúdo clássico dessa importante obra da área, são apresentados cinco novos capítulos: Metodologia Qualitativa e as Correntes do Pensamento, Sistema de Informação em Saúde, Determinantes Sociais da Saúde, Saúde da Mulher, e Ciências Sociais e Humanas em Saúde Coletiva.
O reitor Jackson Sampaio foi um dos docentes da Uece que contribuiu com a obra, por meio da produção do capítulo 21, que trata sobre "Saúde Mental", desenvolvido com os também professores da Uece, Alexandre Menezes Sampaio e José Maria Ximenes Guimarães.
Participaram também da 8ª edição, os docentes da Uece: Andrea Caprara, Eddie William de Pinho Santana, Helena Alves de Carvalho Sampaio, Maria Irismar de Almeida, Maria Salete Bessa Jorge, Mauro Serapioni, Paula Frassinetti Castelo Branco C. Fernandes, Regina Heloísa Mattei de Oliveira Maciel (aposentada), Sílvia Maria Nóbrega-Therrien, Soraia Pinheiro Machado Arruda e Thereza Maria Magalhães Moreira.
Fonte: Uece/Assessoria de Comunicação. Em 7/11/201.7

PASSEI NO VESTIBULAR (¹)

Meraldo Zisman (*)
Médico-Psicoterapeuta
Choram os docentes, do alto e do baixo clero universitário, ativos e inativos (aposentados). Coincidentemente ou não, escrevo estas linhas em uma terça-feira de carnaval, quando a folia já está mais perto de baixar, e os nobres e a plebe, os ricos e os pobres, os governantes e os eleitores retornam à realidade do cotidiano. Quero lembrar, aqui, o estudante Alcides do Nascimento Lins, assassinado no dia 5 de fevereiro de 2010, aos 22 anos de idade, e perguntar aos meus leitores: de que vai adiantar a morte dos Alcides, junto àqueles que driblam a miséria e passam no vestibular?
Podem verter enxurradas de prantos, homenagens, crônicas, reportagens, missas, atos públicos, que de nada adiantará. Minha tese, acreditem, é a de que falta Educação no Brasil. Isto porque, em verdade, os poucos jovens marginalizados pela pobreza que chegam à Universidade e rompem a barreira da miséria são mortos, assassinados, moral ou fisicamente, cedo ou tarde, como o Alcides, filho de uma catadora de lixo.
A maioria daqueles jovens ainda acredita em nós, professores, quando dizemos: “estudem bastante para poder sair da miséria material e mental, e, desse modo, poderão ser aproveitados no mercado de trabalho”. É triste o país que faz dos seus jovens as maiores vítimas das mortes matadas, das mortes morridas, das mortes não vividas, os mártires das injustiças psicossociais. O assassinato em questão não ocorreu dentro dos muros universitários!
Quem pensa que o problema de Educação se resolve, exclusivamente, dentro das escolas, está enganado. É equivalente a um nobre, na Idade Média, julgar estar protegido do clamor dos súditos, por meio de fossos, muros, ou pontes levadiças nos castelos. Como os poderosos podem pensar em ter, como defesa do poder, o uso da tecnologia, sem melhorar a condição humana?
Não importam os tipos de defesas, as cercas eletrificadas, os sensores, as câmaras de vigilância, a internet, as seguranças particulares, todos esses paredões de nada valem quando a injustiça social penetra nas paredes de taipa de uma escola do interior, ou nos muros da Universidade. E há quem acredite, ainda, que a escola é o segundo lar, quando se sabe que o primeiro jamais existiu. O jaleco que a mãe de Alcides vestia, no dia em que foi à delegacia para depor, é o emblema da enganosa política socioeducativa e caritativa brasileira.
Quando é que vamos entender que um diploma não é um passaporte para a cidadania? Um dos sambas que Martinho da Vila canta continua sendo bastante atualizado: (¹) 'Felicidade! Passei no vestibular, mas a faculdade é particular. Particular, ela é particular; particular, ela é particular... Livros tão caros, tanta taxa prá pagar; meu dinheiro muito raro, alguém teve que emprestar...'.
Dizem que o Brasil é um país sentimental, além de ser musical. Seja lá como for, é importante deixar claro que lágrimas não servem para ressuscitar ninguém. É preciso muito mais do que isso!
(*) Professor Titular da Pediatria da Universidade de Pernambuco. Psicoterapeuta. Membro da Sobrames/PE, da União Brasileira de Escritores (UBE) e da Academia Brasileira de Escritores Médicos (ABRAMES). Consultante Honorário da Universidade de Oxford (Grã-Bretanha).
 

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